Autoconhecimento e a vulnerabilidade das interpretações

Enquanto tivermos fortes certezas, alimentamos grandes equívocos que podem ser superados com dúvidas capazes de produzirem melhores reflexões, modificando o modo determinista de pensar.

Assim, devemos aceitar a possibilidade da vulnerabilidade de nossas interpretações. Se hoje interpretamos de um modo, é porque nos baseamos em um conjunto de informações que se organizam entre si, na malha intelectiva da mente, contudo é a pessoa que interpreta, conforme seu raciocínio dominante, sendo alta a relatividade.

Autoconhecimento e a lapidação da própria natureza

Segundo Jung: “Se os homens fossemos educados no sentido de ver o lado sombrio de sua natureza, provavelmente aprenderiam a compreender e a amar verdadeiramente os seus semelhantes. Um pouco menos de hipocrisia e um pouco mais de tolerância em relação a si mesmo, só podem dar bons resultados em relação ao próximo, pois o homem tem inclinação nítida de transferir aos seus semelhantes a injustiça e a violência que exerce sobre sua própria natureza.”

Ao desenvolver o autoconhecimento, temos a oportunidade de verificar aquilo que reprimimos em nós mesmos e que, de modo natural e normal, projetamos no outro, sendo uma frequente causa que dificulta os relacionamentos. Contudo, é necessário que nossa racionalidade se aproprie dessa premissa fundamental para lapidar a própria natureza, com discernimento ampliado.