Caso do Supervisor: Estabelecer metas com a equipe??? Quem, eu???

Outro dia, almoçando em um restaurante bem frequentado por profissionais das mais diversas áreas, estava sentado ao lado de uma mesa onde dois Supervisores de venda conversavam em alta voz… não pude deixar de ouvir. Um deles demonstrava grande indignação com uma nova determinação que recebera de seu Gerente, a de que deveria definir metas de vendas com a equipe por ele supervisionada. Dizia ele ao colega, num monólogo:

– Onde já se viu um Supervisor estabelecer metas de venda com sua equipe?

– Isso não é papel do Supervisor, mas sim do Gerente…

– O papel do Supervisor é supervisionar, é monitorar a equipe e emitir relatórios informando o que estão fazendo ou deixando de fazer…

– Cabe ao Gerente definir as metas e tomar as ações necessárias…

As afirmações desse Supervisor, de tão indignado que estava me fez pensar: Por que ele achava que definir metas não era seu papel?

Aqui podemos colocar uma questão-chave seguida de uma inferência sobre a indignação desse Supervisor…

A questão que se coloca é: Afinal, um Supervisor de vendas não é um gestor? Sem dúvida que é! Então, como todo gestor, é sim seu papel definir metas com a equipe e agir sobre os resultados não realizados (metas não alcançadas). Aqui cabe a inferência sobre sua indignação: isso (definir metas com a equipe), do ponto de vista desse profissional, muda tudo. Como? Considerando que ele tivesse razão ao afirmar que sua função seria única e tão somente observar a equipe e relatar como trabalha, então ele não estaria comprometido caso os resultados não viessem a ocorrer como planejado. Por outro lado, ao estabelecer metas com a equipe, seu comprometimento com os resultados seria pleno, tirando-o da zona de conforto de simplesmente “apontar os culpados” (emitir relatórios sobre o comportamento da equipe).

Tenho visto casos muito similares em diversas organizações, ou seja, gestores que não agem gerencialmente, mas são “experts” em “achar os culpados” pelos maus resultados. Pois bem, embora eu não goste de usar a palavra “culpado” (problemas acontecem, o importante é achar suas causas e evitar a reincidência), em primeira instância, se há um “culpado” por maus resultados esse sempre será o gestor da área. É ele quem tem a responsabilidade primordial pelos resultados (efeitos) dos processos (causas) sob sua autoridade, assim é ele quem pode e deve tomar a iniciativa de agir para corrigir os problemas.

O que podemos aprender com este caso? É relativamente fácil perceber que quando um gestor não age adequadamente (gerencialmente) sobre os problemas, em geral é por pura falta de conhecimento sobre o que é e como se faz gestão. Portanto, os problemas de gestão começam quando os gestores – sejam Diretores, Gerentes, Supervisores, não importa o título do cargo – não dominam os fundamentos da gestão. A partir desse desconhecimento, não reconhecem e não procuram conhecer as ferramentas gerenciais (as boas práticas de gestão) essenciais na realização dos resultados. E isso, em muitos casos, induz à busca dos “culpados”, afinal alguém deverá ser responsabilizado (e, o pensamento assim parece ser, “não serei eu o comprometido”)…

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Sobre Robin Pagano

Pensador, palestrante e consultor sênior em Estratégia, Gestão e Inovação de negócio. Mestre em Eng. de Produção - UFRGS; Pós-graduado em Estudos de Políticas e Estratégias de Governo - PUCRS; Pós-graduado em Marketing de Serviços - ESPM/RS; Especializado em Gestão da Qualidade Total (TQM) - NKTS/Japão; Lead Assessor ISO 9000 - SGS-ICS; Engº Eletrônico - PUCRS. Atuou como Gerente de Desenvolvimento, de Processos e de Serviços em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacional, líderes de mercado. Professor universitário em cursos de MBA, Especialização e Extensão. Consultor sênior em Estratégia, Gestão, Qualidade e Inovação. Sócio da Intelligentia Assessoria Empresarial.

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