Prontidão da inovação

irlComo uma alternativa à medição do nível de prontidão da tecnologia (TRL), surgiu a proposição da escala IRL (de Innovation Readiness Levels) para avaliação do nível de prontidão da inovação. Essa escala, sugerida por Tao, Probert e Phaal, do Centre for Technology Management da Universidade de Cambridge, foi apresentada no artigo “Towards an integrated framework for managing the process of innovation” (2010). Nesse modelo, cujo objetivo é retratar o desenvolvimento da inovação – da concepção a sua evolução no mercado – tornando-a mais eficaz ao longo de seu ciclo de vida, são destacados seis níveis de prontidão correspondentes às fases do ciclo de vida da inovação:

  • IRL 1 – Concept (concepção): fase onde os princípios básicos da inovação são observados e descritos, e características e funções críticas são confirmadas por meio de experimentos (equivale aos níveis TRL 1 a 3)
  • IRL 2 – Components (componentes): fase em que são validados componentes, subsistemas ou sistemas, e é desenvolvido protótipo de demonstração (equivale aos níveis TRL 4 a 6)
  • IRL 3 – Completion (acabamento): fase onde o desenvolvimento tecnológico é concluído, e a funcionalidade completa do sistema é provada em campo (equivale aos níveis TRL 7 a 9)
  • IRL 4 – Chasm (precipício): refere-se à fase dos desafios e das dificuldades que a inovação pode enfrentar quando introduzida no mercado
  • IRL 5 – Competition (competição): é a fase madura da inovação, onde já não há um crescimento significativo do mercado
  • IRL 6 – Change (mudança): é a fase de declínio da inovação no mercado, levando à consideração de duas opções: mudar (reinovando) ou descontinuar (por obsolescência) a inovação

O modelo IRL também é conhecido como modelo de escala 6 “C”, uma referência às iniciais (das palavras em inglês) das denominações dos seis níveis de prontidão da inovação: Concept, Components, Completion, Chasm, Competition e Change.

Um aspecto importante na avaliação IRL é a noção de ciclo de vida do produto (evolução do mercado), pelo qual são considerados os diferentes tipos de clientes e suas relações com (o mercado de) a adoção da inovação: ávidos por tecnologia (inovadores), visionários (primeiros a adotar), pragmáticos (maioria inicial), conservadores (maioria tardia) e os céticos (retardatários).

No modelo IRL há cinco aspectos chave a considerar, que permitem direcionar a gestão do processo da inovação: tecnologia, mercado, organização, parcerias e riscos, definidos como:

Tecnologia – toda a infraestrutura e conhecimento necessários para projetar, produzir, operar e reparar os produtos (bens e/ou serviços) inovadores

Mercado – formado por grupos, de pessoas ou organizações, interessados na inovação

Organização – refere-se às áreas da organização envolvidas no processo da inovação

Parceria – consideração dos parceiros de inovação, com os quais ganhos e perdas são partilhados, como fornecedores, revendedores e parceiros de pesquisa

Risco – estimação de eventuais impactos negativos para o negócio, decorrentes da inovação, considerando os aspectos da tecnologia, do mercado e da organização

Ao serem cruzados os seis níveis (fases) de prontidão da inovação (IRL 1 a 6) com esses aspectos chave fica facilitada a identificação das atividades críticas para o processo da inovação, assim permitindo um melhor endereçamento de sua gestão.

O modelo IRL é um sistema de avaliação da prontidão da inovação interessante por sua amplitude ao incorporar aspectos de diversas teorias sobre inovação, como prontidão tecnológica, adoção pelo mercado e ciclo de vida do produto. Os níveis IRL 1, 2 e 3 correspondem às fases do desenvolvimento tecnológico, enquanto os níveis IRL 4, 5 e 6 representam as fases da evolução do mercado.

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Robin Pagano

Sobre Robin Pagano

Pensador, palestrante e consultor sênior em Estratégia, Gestão e Inovação de negócio. Mestre em Eng. de Produção - UFRGS; Pós-graduado em Estudos de Políticas e Estratégias de Governo - PUCRS; Pós-graduado em Marketing de Serviços - ESPM/RS; Especializado em Gestão da Qualidade Total (TQM) - NKTS/Japão; Lead Assessor ISO 9000 - SGS-ICS; Engº Eletrônico - PUCRS. Atuou como Gerente de Desenvolvimento, de Processos e de Serviços em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacional, líderes de mercado. Professor universitário em cursos de MBA, Especialização e Extensão. Consultor sênior em Estratégia, Gestão, Qualidade e Inovação. Sócio da Intelligentia Assessoria Empresarial.

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