Dentre os tipos de inovação que se pode realizar num empreendimento talvez o mais amplo, por isso mesmo perigoso e ao mesmo tempo de maior potencial de ganhos, seja a inovação do modelo de negócio. Isso passa pela revisão e redefinição de toda uma gama de componentes do empreendimento, indo dos parceiros aos clientes, passando por suas atividades chave, seus recursos, etc.
Mas por que inovar o modelo de negócio? Uma das principais motivações para esse tipo de inovação é, sem dúvida, uma situação em que o empreendimento já não consegue mais resultados fazendo o que sempre fez, mesmo já tendo sido muito bem sucedido no passado. Outra razão pode ser evitar o declínio que se anuncia caso se persista no modelo de atuação vigente. Um terceiro impulso é o vislumbre de uma nova oportunidade de ganhos, de crescimento, mas que só será possível com um novo desenho para o negócio. Pensando estrategicamente, a pró-atividade, a antecipação à necessidade, é o melhor caminho, mas também o mais difícil de ser seguido, dado à inerente resistência à mudança que dele surgirá.
Definida a motivação para a inovação do modelo de negócio, o próximo passo é executá-la. Existem dois modelos que atendem bem a essa ação, ou seja, à necessidade de análise do modelo atual e o redesenho do negócio.
Um modelo bem estruturado é o proposto por Mark Johnson, composto por 4 elementos fundamentais: recursos chave, processos chave, proposta de valor aos clientes e fórmula de ganhos. Permeando esses elementos surgem as regras, as normas e as métricas do negócio. Nesse modelo, a proposta de valor explicita o que deve ser feito para atender às demandas dos clientes; os recursos chave são as necessidades para entregar o valor proposto aos clientes; os processos chave tornam possível a repetição e a ampliação da entrega da proposta de valor aos clientes; e a fórmula de ganhos apresenta quanto se pode ganhar, associando a estrutura de custos, as margens unitárias e o uso dos recursos.
Outro modelo, mais detalhado, é o Quadro do Modelo de Negócio (Business Model Canvas) proposto por Alex Osterwalder. Nele estão presentes 9 blocos construtivos do modelo de negócio: rede de parceiros, atividades chave, recursos chave, proposições de valor, relações com clientes, canais, segmentos de clientes, estrutura de custos e fluxo de ganhos. Esses blocos respondem de modo amplo a questões críticas do negócio: Como? (rede de parceiros, atividades e recursos chave), O Quê? (proposições de valor), Quem? (relações com clientes, canais e segmentos de clientes) e Quanto? (estrutura de custos e fluxo de ganhos).
Independentemente do esquema de análise para inovação do modelo de negócio que se use, é primordial identificar o quanto antes a necessidade de inovação do negócio, para então definir o modelo de análise, aplicá-lo e, por fim, proceder à inovação do negócio.
Em ensaios próximos os dois modelos serão detalhados…
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