Inovação de produto

A inovação de produto, seja um bem ou um serviço, é sem dúvida o tipo de inovação mais facilmente percebido. Por outro lado, não é tarefa simples categorizá-la. Dependendo do autor, pesquisador ou consultor, que tomarmos como referência, iremos encontrar diversas categorias ou classes para esse tipo de inovação. Sem complicar, podemos dizer que a inovação de produto pode ser mais bem entendida a partir de duas categorias principais: a inovação incremental e a inovação radical. Já abordei essas categorias, ou classes, de inovação no ensaio Inovação incremental ou radial?, mas vamos aprofundar um pouco sua compreensão…

Por meio da inovação incremental, ou de sustentação, são feitos avanços na funcionalidade de produtos existentes, com a incorporação de novas características. Um exemplo claro desse tipo de inovação é o que faz a Apple, cuja estratégia de lançamento de “novos” produtos tem sido exatamente o aperfeiçoamento ou a ampliação de funcionalidades em produtos existentes, muitos dos quais foram originalmente apresentados ao mercado (seja como conceito ou mesmo como produto) por outras empresas: tocadores de música MP3, tablets, smartphones, etc. Esse tipo de inovação não deve ser confundido com processos de melhoria contínua, onde o objetivo é implementar aperfeiçoamentos que evitem a recorrência de problemas conhecidos.

A inovação radical é aquela que leva a descontinuidades ou a quebra de paradigmas. Assim, é o tipo de inovação de produto que carrega consigo mais riscos em sua empreitada, mas por isso mesmo é a que traz mais ganhos aos realizadores e aos beneficiados com a inovação bem sucedida. A este tipo de inovação de produto podemos associar duas subclasses: a inovação disruptiva e a inovação de ruptura.

O conceito de inovação (radical) disruptiva (disruptive innovation) foi introduzido por Clayton Christensen no clássico livro The Innovator’s Dilemma: the revolutionary book that will change the way you do business (1997). Esse tipo de inovação permite que empreendimentos entrantes, geralmente com poucos recursos, possam ser bem sucedidos desafiando empresas estabelecidas ao criarem produtos com funcionalidades básicas, frequentemente a preços menores, direcionados a segmentos negligenciados. A disrupção acontece quando essas novas e inovadoras soluções passam a ser adotadas pelos clientes da solução tradicional. Como exemplo da inovação disruptiva de produtos temos a evolução dos discos rígidos, de um lado com a redução drástica em suas dimensões externas e de outro lado com a ampliação significativa em suas capacidades de armazenamento e a simplificação em sua arquitetura construtiva. Na área de serviços, um bom exemplo, é o advento dos restaurantes de autoatendimento (self service).

A inovação (radical) de ruptura (breakthrough innovation) é aquela onde existe uma mudança (ou rompimento, do inglês “breakthrough”) de paradigma. Esse conceito foi trazido à luz pelo físico e filósofo Thomas Kuhn, em sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas (1962) onde estabeleceu que a ciência passa por revoluções periódicas, as chamados “mudanças de paradigma”. Exemplos desse tipo de inovação em produtos são (na indústria eletrônica) a troca de válvulas por transistores, e (na aviação) a substituição dos motores a combustão interna por motores a jato. Em serviços, um exemplo é a possibilidade de cada pessoa manter seu registro médico na nuvem (na internet), acessível a todos os médicos com quem ainda irá se consultar ao longo da vida.

A realização da inovação de produto pode ser iniciada por trilhas desbravadoras. Uma deles é a da pesquisa básica, outra passa pela identificação de “lead users”, mas esses são temas que vamos discutir em ensaios próximos…

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Robin Pagano

Sobre Robin Pagano

Pensador, palestrante e consultor sênior em Estratégia, Gestão e Inovação de negócio.

Mestre em Eng. de Produção – UFRGS; Pós-graduado em Estudos de Políticas e Estratégias de Governo – PUCRS; Pós-graduado em Marketing de Serviços – ESPM/RS; Especializado em Gestão da Qualidade Total (TQM) – NKTS/Japão; Lead Assessor ISO 9000 – SGS-ICS; Engº Eletrônico – PUCRS. Atuou como Gerente de Desenvolvimento, de Processos e de Serviços em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacional, líderes de mercado. Professor universitário em cursos de MBA, Especialização e Extensão. Consultor sênior em Estratégia, Gestão, Qualidade e Inovação. Sócio da Intelligentia Assessoria Empresarial.

Uma ideia sobre “Inovação de produto

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