Inovação incremental ou radical?

Quando pensamos ou falamos em inovação uma questão fundamental é entender claramente o tipo de inovação com a qual iremos lidar. Focando o produto (resultado da inovação) a que se almeja chegar, podemos dizer que existem duas classes: a inovação incremental e a inovação radical.

A inovação incremental, ou inovação de sustentação, está relacionada a uma evolução nas características de um bem ou serviço já existente. Por exemplo, um novo microprocessador com funções adicionais, mais rápido, mais eficiente, dimensionalmente menor, embora mantendo a mesma tecnologia de base. Outro exemplo, na área de serviços, a compra de produtos pela internet, o que antes só era possível em lojas físicas e posteriormente por telefone a partir de catálogos impressos levou naturalmente à possibilidade de venda de produtos em lojas virtuais acessíveis pela web.

Algumas das características da inovação incremental são que o tempo até sua consolidação é razoavelmente curto, seu processo é relativamente estável e bem conhecido, não há descontinuidades ou grandes surpresas. As ideias para a inovação incremental podem surgir da linha de frente, oriundas de áreas de atendimento ou serviços ao cliente, mas também de áreas internas da organização como desenvolvimento e produção, e até mesmo de sugestões dos clientes.

A inovação radical, também denominada inovação de ruptura, é aquela onde um produto completamente novo foi criado e é disponibilizado. Nesse tipo de inovação geralmente ocorre quebra de paradigma. Por exemplo, a substituição da distribuição de músicas em discos de vinil (tecnologia analógica) por CDs (tecnologia digital) e estes por sua vez também já deixando de existir substituídos pela distribuição remota via arquivos eletrônicos (formato MP3 ou outro), a telefonia celular (móvel) que vai substituindo a telefonia fixa, as TVs de tela plana que substituíram as TVs de tubo, e assim por diante.

No caminho da inovação radical existem muitas incertezas. O processo, da ideia ao resultado, consome um tempo significativo, iniciando em áreas de pesquisa & desenvolvimento e avançando para outras áreas da organização, como marketing e produção, até que o produto esteja disponível. Na inovação radical podem ocorrer descontinuidades, ou seja, ideias que inicialmente pareciam fantásticas acabam se mostrando não implementáveis ou sem aplicação prática.

Algumas vezes, propositadamente ou por falta de conceitos, a inovação incremental é confundida com processos de melhoria contínua. Como já abordei em ensaio anterior (veja: Inovar, uma necessidade de todo empreendimento?), empresas que incorporam evoluções aos seus bens ou serviços a partir de ações de “benchmarking” ou aquisição de direitos de uso das inovações de terceiros não estão fazendo inovação, mas simplesmente adotando as inovações geradas por outros. Um processo de inovação, seja incremental ou radical, exige a destinação de recursos humanos, financeiros e tempo, a aplicação de rotinas específicas de pesquisa & desenvolvimento, o teste das ideias com o descarte de algumas, registro de patentes, etc.

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Robin Pagano

Sobre Robin Pagano

Pensador, palestrante e consultor sênior em Estratégia, Gestão e Inovação de negócio.

Mestre em Eng. de Produção – UFRGS; Pós-graduado em Estudos de Políticas e Estratégias de Governo – PUCRS; Pós-graduado em Marketing de Serviços – ESPM/RS; Especializado em Gestão da Qualidade Total (TQM) – NKTS/Japão; Lead Assessor ISO 9000 – SGS-ICS; Engº Eletrônico – PUCRS. Atuou como Gerente de Desenvolvimento, de Processos e de Serviços em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacional, líderes de mercado. Professor universitário em cursos de MBA, Especialização e Extensão. Consultor sênior em Estratégia, Gestão, Qualidade e Inovação. Sócio da Intelligentia Assessoria Empresarial.

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