Inovação ou invenção?

innovation_x_inventionQuando falamos em inovação não é incomum pensarmos também em invenção. São conceitos muito próximos, muito interligados. Qual a diferença entre inovação e invenção? O que há de comum entre esses conceitos? Essas são questões chave no mundo dos negócios, que precisam ser respondidas se queremos tratar inovação com seriedade, como uma atividade gerenciada com resultados efetivos. Então vamos às diferenças e coincidências entre esses conceitos…

Invenção pode ser entendida como o desenvolvimento de uma ideia original. O que impele a invenção é uma inquietação. Quando pensamos em invenção logo nos reportamos à figura de um inventor, um sujeito por trás de uma bancada de pesquisa. Esse sujeito, normalmente, não está à procura de uma solução para um problema, ou de uma forma nova de se conseguir algo, ou de mais eficiência para a realização de uma dada atividade, e coisas do tipo. Sua inquietação é entender como algo funciona. Para o inventor não importa se a satisfação de sua curiosidade terá aplicação prática ou não. Isso implica que não há um resultado claramente definido a ser buscado, portanto o processo da invenção não precisa ser bem estruturado ou linear. Nesse sentido, podemos afirmar que invenção é fruto de pesquisa básica, cujo objetivo é basicamente entender como as coisas funcionam.

Inovação, como já vimos (O que é inovação?), é a exploração de um novo insight ou ideia. O que impulsiona uma inovação é um desejo ou uma necessidade. Superação é a palavra de ordem. Essa pode se dar entre pessoas (p. ex., atletas, pilotos de corrida), grupos (equipes de esportes, de produção, de vendas) ou empresas (concorrentes ou novos entrantes no mercado). Assim, a inovação deve ser bem pensada, deve ter seus propósitos bem definidos e seu processo bem estruturado. Não pode ser fruto de mera curiosidade, mas pode ser (um insight ou ideia) originária de uma resposta a uma curiosidade (uma invenção útil). O resultado da inovação deve ter valor para alguém, precisa ser economicamente viável, e deve ser acessível. Uma inovação bem sucedida resolve um problema ou faz com que algo novo possa ser realizado.

Um processo de invenção pode dar em lugar algum, não ter resultados além do gasto de tempo e investimento a fundo perdido. Por sua vez, um processo de inovação precisa levar a algo útil, a resultados aplicáveis com reais perspectivas de retorno financeiro e/ou social. A invenção está muito associada a processos de pesquisa & desenvolvimento, comuns em centros de pesquisa e universidades. A inovação está mais para uma decisão estratégica, em organizações que precisam encontrar novas soluções para problemas ou superar concorrentes.

Uma invenção pode levar à criação ou descoberta de algo novo, seja útil ou não. Já, uma inovação deve levar a alguma coisa nova e desejável, com grande potencial de demanda. Com isso entendido e aceito, podemos pensar que um processo de invenção pode ser visto como uma tentativa de inovação sem compromisso. Também devemos perceber que uma inovação pode ter sua origem em uma invenção.

Podemos concluir que invenção e inovação são processos intimamente ligados. Não há de fato um “ou”, como sugerido no título que abre esta discussão, mas sim um “e”. Uma criação ou descoberta de algo novo, útil, desenvolvido a partir de uma ideia inventiva, pode dar origem a uma inovação que irá explorar esse algo novo transformando-o em um produto (bem ou serviço) de valor, desejado e disponível.

Acima de tudo, do ponto de vista de um negócio, esses dois conceitos são distintos e precisam ser assim compreendidos. Isso permite focar as ações necessárias para que cada processo seja levado a cabo, com investimentos bem aplicados e resultados efetivos.

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Sobre Robin Pagano

Pensador, palestrante e consultor sênior em Estratégia, Gestão e Inovação de negócio. Mestre em Eng. de Produção - UFRGS; Pós-graduado em Estudos de Políticas e Estratégias de Governo - PUCRS; Pós-graduado em Marketing de Serviços - ESPM/RS; Especializado em Gestão da Qualidade Total (TQM) - NKTS/Japão; Lead Assessor ISO 9000 - SGS-ICS; Engº Eletrônico - PUCRS. Atuou como Gerente de Desenvolvimento, de Processos e de Serviços em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacional, líderes de mercado. Professor universitário em cursos de MBA, Especialização e Extensão. Consultor sênior em Estratégia, Gestão, Qualidade e Inovação. Sócio da Intelligentia Assessoria Empresarial.

1 pensou em “Inovação ou invenção?

  1. Muito interessante esse post sobre invenção e inovação. Como é dito no texto, realmente a invenção pode levar a lugar algum enquanto que a inovação precisa nos levar a algo útil.
    Muito bom o blog, parabéns!

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