No geral, quando falamos de inovação logo nos vem à mente que um novo produto (bem ou serviço) foi lançado. Ou não? Mas será que inovação é só isso, um produto novo? Não!
De modo amplo, inovação pode ser definida como a “exploração de novos insights e ideias”. De uma forma restrita, sua definição depende do escopo em que estamos pensando, podendo estar relacionada a um processo, a um produto (um bem ou um serviço) ou, ainda, a um (modelo de) negócio. Alguns exemplos:
– Processos inovadores: linha de produção seriada, produção just in time, manufatura auxiliada por computador
– Bens inovadores: vídeo cassete, álbum de músicas em CD, reprodutor de DVDs, microcomputador pessoal (PC), TV de tela plana, tablet, e‑reader
– Serviços inovadores: internet, telefonia celular, Google, Wikipedia, educação à distância (EaD), compras coletivas
– Negócios inovadores: MTV, Starbucks, Amazon, eBay, iTunes
Colocando assim fica tudo bem delimitado, certo? Será? Uma coisa não leva à outra?
Pense um pouco… o que veio primeiro, o e-reader (um bem), a disponibilização de e-books (um serviço) ou a comercialização de livros digitais (um negócio)? Para as editoras e distribuidores tradicionais, a venda de e-books exige o que podemos chamar de inovação de (modelo de) negócio, afinal quem precisa de uma livraria (um espaço físico com prateleiras cheias de livros) para folhear e adquirir um e-book? Para as distribuidoras virtuais, tendo como caso mais famoso a Amazon, é só mais uma forma de entregar seus produtos (uma inovação de serviço).
E o caso dos álbuns de músicas em CDs? Uma inovação de produto (um bem) que levou à possibilidade de distribuição de músicas em formato mp3 (um serviço) que praticamente liquidou com o poder que a indústria de gravadoras (um modelo de negócio) detinha sobre os artistas e a distribuição de suas músicas.
Refletindo melhor sobre esses exemplos, que tipo de inovação foi feita? De produto (substituição de livros em papel por eletrônicos, troca de discos de vinil por CDs)? Ou de modelo de negócio (e-readers e CDs levaram a outras formas de distribuição de livros e músicas, respectivamente e-books e MP3, possibilitando inclusive contato direto entre produtor e comprador)?
Se não entendermos profundamente com que tipo de inovação lidamos há o risco de matar um negócio já bem sucedido ou em seu nascedouro. Assim, antes de tudo, a primeira coisa a fazer é ter objetivamente definido o tipo de inovação que buscamos: de processo, produto (bem e/ou serviço) ou de (modelo de) negócio. Além disso, no caso de inovação de produto, é preciso ainda a compreensão clara sobre suas causas e consequências: Haverá inovação de tecnologia? Será uma inovação incremental ou radical (de ruptura ou disruptiva)? Mas isso é assunto a ser discutido num próximo ensaio…
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