Tomada de decisão: ciência ou intuição?

tomada_de_decisãoA tomada de decisão, uma das principais funções de um gestor para muitos desses profissionais parece algo penoso, perigoso, que implica uma boa dose de risco. Por que isso acontece? Penso que as razões mais comuns para tal passam pela falta de conceitos claros sobre gestão, sobre o papel da tomada de decisão nessa atividade e como tomar uma decisão. Então vamos esclarecer esses três pontos chave.

Primeiramente, devemos lembrar que gestão nada mais é do que manter e melhorar os resultados (sejam estratégicos ou operacionais), ou colocando de outra forma, eliminar e evitar problemas. Com isso esclarecido, tomada de decisão deve ser entendida como a escolha da melhor opção e ações derivadas, frente a uma determinada situação (consumadamente ou potencialmente) indesejada, que leve ao resultado almejado. Assim, podemos entender que a tomada de decisão é uma atividade inerente a qualquer exercício de gestão.

Então, partindo do ponto em que já sabemos que o resultado esperado não foi , ou há indicativos de que poderá não ser, realizado, vem à tona a necessidade da tomada de decisão. Mas como isso deve ocorrer? Aqui voltamos à questão originalmente colocada: uma tomada de decisão é algo intuitivo, que exige expertise do tomador de decisão, ou uma ciência, que exige adoção de método apropriado?

Podemos afirmar que nem uma opção nem a outra são a única possibilidade. Sem dúvida, quando exercendo nosso papel como gestor, antes de tudo é preciso entender que tomada de decisão deve, preferencialmente, fazer uso de método, estar fundamentada em uma análise cognitiva dos dados e fatos que levaram, ou poderão levar, à situação indesejada. Mas, por outro lado, muitas vezes o gestor não tem a sua disposição todas as informações necessárias (os dados e fatos), nem ao mesmo tem tempo para levantá-las. Então o que fazer?

Observando com atenção os modelos consagrados de excelência em gestão, a tomada de decisão deve ser entendida como uma ciência, com método sistematizado, fundamentado em dados e fatos sobre as causas (incidentes ou potenciais) do problema (um desvio, constatado ou potencial, do resultado esperado). Isso implica que a identificação do problema deve ser realizada por meio de medidas (indicadores) de performance sobre os resultados ou tendências evidenciadas de um dado processo, o que por sua vez exige que dados venham sendo compilados e avaliados há já algum tempo. Isso fornece informação útil, valiosa, que dará segurança ao gestor, ao tomador de decisão.

Mas o uso de um método não implica que a intuição não deva ser levada em conta em dadas condições. Imagine que você não tem informações preliminares e nem tempo para buscá-las. O que fazer? Nada!!!??? Deixar que o tempo resolva o problema (expressão que já ouvi de muitos gestores…)??? Intuição, quando bem usada, ou seja, quando o tomador de decisão tem estado atento ao contexto geral da situação vivenciada, mesmo que subliminarmente fundamentada em experiência, não deve ser encarada como “achismo”. Pode ser a única opção disponível. Já abordei esse tema antes, quando usei o exemplo do piloto que “pousou” com sucesso um grande jato comercial no Rio Hudson na cidade de Nova York (veja ensaio Avaliação de Processos).

Uma coisa é certa… Não decidir não é uma opção! E, quando a decisão for fundamentada em fatos e dados concretos será sempre de melhor qualidade.

Esse post foi publicado em Artigos e marcado , por Robin Pagano. Guardar link permanente.

Sobre Robin Pagano

Pensador, palestrante e consultor sênior em Estratégia, Gestão e Inovação de negócio. Mestre em Eng. de Produção - UFRGS; Pós-graduado em Estudos de Políticas e Estratégias de Governo - PUCRS; Pós-graduado em Marketing de Serviços - ESPM/RS; Especializado em Gestão da Qualidade Total (TQM) - NKTS/Japão; Lead Assessor ISO 9000 - SGS-ICS; Engº Eletrônico - PUCRS. Atuou como Gerente de Desenvolvimento, de Processos e de Serviços em empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacional, líderes de mercado. Professor universitário em cursos de MBA, Especialização e Extensão. Consultor sênior em Estratégia, Gestão, Qualidade e Inovação. Sócio da Intelligentia Assessoria Empresarial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

− 3 = 1